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Com o título “Além da Cor”, a jornalista Luciana Coelho, editora-adjunta do caderno “Mundo”, da Folha, postou um texto no blog sobre a sucessão de Bush, que o jornal criou, falando da discussão na Redação quanto a ressaltar ou não o fato de Obama ser negro.

A Luciana diz que ela e a Cláudia Antunes concluíram que resumir a eleição a isso (o fato de ele ser negro) é empobrecer a questão. Ela destaca que o historiador britânico Timothy Garton Ash escreveu um artigo apontando uma série de fatores muito mais importantes para o vitória de Obama.

Certo, certo. Luciana, depois de dizer para que “lembremos que a mãe do candidato é branca, que os avós que o criaram são brancos, e que o pai dele, negro, era queniano, sem o peso da escravatura em seu passado”, reproduz Ash:

“Obama é muito mais do que um americano negro. Como um número crescente de cidadãos em nosso mundo mestiço, ele é, como o colunista Michael Kinsley colocou, um caldeirão étnico em um homem só. Isso o qualifica para representar todos os americanos, de toda ascendência e tom de pele, que eu vi nas longas filas de gente esperando para votar em Washington.

Obama é o primeiro presidente pós-étnico. Reduzir essa história à dicotomia preto/branco é tão útil quanto tirar uma fotografia preta-e-branca de uma cena colorida. John McCain pode ter destacado Joe, o encanador para representar a já fora de moda ‘maioria silenciosa’ de americanos brancos de classe trabalhadora, mas agora esses já constituem uma minoria não tão silenciosa assim. E José o encanador votou para Obama (…)”

Certo, certo. Obama é “black and white” (como diz Michael Jackson naquela canção: “it doesn’t matter if you’re black or white”) e, sei lá, um “caldeirão” onde se reúne até islamismo e cristianismo – digamos assim -, mas o esquisito é que o fato de ter mãe branca e avós brancos nunca tirou de ninguém nos Estados Unidos a condição de negro. Acho legal ter esse cuidado para não escamotear a questão racial agora que um negro chegou lá, negro na Casa Branca. Mas é claro que isso não diz tudo, e talvez a sociedade norte-americana esteja até dando uma lição de maturidade ao ver algo muito além da cor .

Mas, mesmo “black and white”, é negro, pô.

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Essa é do blog do Melo:  
  

A PM e a Polícia Civil do Rio são um retrato do Brasil

Comandantes-gerais da PM do Rio

A foto aí acima mostra dois comandantes da PM, o comandante-geral que se foi e o que acaba de entrar em seu lugar. O que me chama a atenção é que os dois são negros. E também, só de memória, acho que tivemos nos últimos anos pelo menos mais dois comandantes-gerais da PM negros. Várias vezes, em reportagens de TV, vemos entrevistas com negros ocupando postos de destaque na PM.

Já na chefia da Polícia Civil não me recordo de um único negro. Todos brancos. E também nas principais delegacias, onde há até delegadas e investigadoras brancas, louras, que posam para fotos com salto alto e metralhadora nas mãos.

E, para terminar as coisas que me chamam atenção nas polícias do Rio, a PM ganha salários de três a seis vezes menores que os policiais civis. O que pode significar que um comandante-geral da PM tenha que trabalhar um ano inteiro para receber o que o Chefe da Polícia Civil recebe em dois meses.

Curioso país o nosso: exceto no esporte e nas artes, sempre é possível saber quem está ganhando mais ao olhar a cor da pele das pessoas.

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