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Não tive mulheres de todas as cores. Só de duas: preta e branca.

 

Ter não é, necessariamente, possuir. O cara pergunta ao médico: “o que tenho, doutor?” O médico: “você tem um vírus que tomou todo o seu corpo”. Nesse caso, o cara não possui o vírus; o vírus é que o possui.

 

A primeira mulher que tive era branca, e não a possuí. Foi minha professora e me espinafrou no primeiro dia de aula, quando, tímido, não respondi à chamada. Como me traumatizou, posso dizer que me possuiu, nessa acepção do termo que usamos antes de chamar o exorcista.

Primeiro nome feminino em meu diário.

 

A segunda era preta. Minha professora. Outra, claro, já que nunca fui aluno de Zellig, aquele personagem camaleão de Woody Allen. Tímido, eu fazia xixi na sala de aula, ela me espinafrava.

Mais uma na página do diário.

 

A terceira era branca. Eu era menino, de novo. Empurrei um afilhado dela numa poça de lama, quando brincávamos. “Rua!” Outra pro diário.

 

A quarta era preta. E minha primeira experiência orgásmica. O primeiro orgasmonauta na noite preta. Era norte-americana. “Miss Primavera” ou “Miss Verão”, algo assim. Mais do que uma foto na parede, uma foto na revista pornográfica. Essa também foi pro diário, mas pra seção de páginas coladas.

 

A quinta era branca. E era Monica Vitti. O diário, claro.

 

A sexta é Mônica. Meio branca, meio preta. E essa é o vírus diário que eu quero no meu corpo. Todo. E esqueçam o exorcista.

 

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