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Os humanos têm fome de sentido. Procuram o dito cujo por todos os lados, desesperados. Por isso, inventam que o sentido existe até onde ele é ausente.

Meu dia a dia é assim: parece ter sempre uma mensagem pulando na minha frente. Conheci uma garçonete outro dia. Se a conheci outro dia, é porque nunca a tinha visto antes. Andei na rua, pensei na dita cuja. Pimba! Lá está ela na esquina. Isso quer dizer que…

Não quer dizer nada. Não nos casamos. Nem mesmo nos tornamos namorados, nem amigos, embora eu tenha passado a vê-la toda vez que pensava nela.

O mundo é assim: um amontoado de mensagens pra ninguém. Até porque, ao contrário do que nossa fome de sentido nos faz crer, certas mensagens não são mensagens.

Tem um livro que eu não li, chamado “A Criação Imperfeita”, do físico Marcelo Gleiser, colunista da “Folha de São Paulo”, que, de certa forma, traduz o que quero dizer aqui. Ele desafia a idéia de que a harmonia é o princípio ordenador do universo.

Gleiser, pelo que li sobre o livro, demonstra que é o erro aleatório que produz quase tudo que existe no universo hoje.

Hélio Schwartsman, autor do artigo que serviu de referência para meu comentário sobre Gleiser, conclui que “o universo e a vida são o resultado de uma cadeia de erros e imperfeições”. Essa filosofia da ciência, que desafia uma tradição de milênios e milênios, parece, pelo menos para mim, bastante sensata. Se erro e imperfeição predominam no universo, isso que chamamos de sentido vacila.

O mundo é assim: esquisito, como eu já disse antes. Cheio de falsas mensagens. De coisas que parecem dizer algo, mas não dizem coisa nenhuma. Mensagens pra ninguém. Uma piada cheia de planetas, galáxias, buracos negros e silêncio.

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