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Amanhã, sexta-feira, 24, às 20h05, minha voz estará nas ondas da rádio Inconfidência, de Belo Horizonte, 100,9 FM.

No programa cultural “Viamundo”, falo sobre o livro “Rasif – Mar que Arrebenta”, do pernambucano Marcelino Freire. Dois minutos de comentário.

Pode-se ouvir a rádio pela net: http://www.inconfidencia.com.br. Basta cliar na opção “Ouça Agora”, no menu vertical da direita do site.

O “Viamundo” tem um blog também: http://blogdoviamundo.wordpress.com.

Agradeço muito ao pessoal da rádio Alternativa 91 FM, de Monlevade, onde gravei o áudio, na brodagem. Os agradecimentos são especialmente para Weber Ferreira, Ricardo Neri e João Carlos.

Ando sem tempo pra escrever aqui. Deixa eu postar esses poemas meus, que não são novos, mas…

CANÇONETA

não serve à minha boca, amor, o mundo
– é pão e água, e míngua a vida – é dano;
só serve à minha boca, amor, seu halo
– olor
de noigandres
– minha ávida língua na orla do seu ânus
************************

sob minha cabeça bamba
sob minha coluna curva
sua vulva
:polvo
e panda
– forte, fofa, quente

gordura e aguardente,
caio como uma luva
*************************

SAFO

só mesmo nós
entre nós duas

(bom,
unhas na grama
não eram suas)
*****************************

PELE

o mais profundo é a pele,
disse valéry,
na dele,
como eu estou na sua
pele

ora, isso é com ele,
disse ela,
e foi embora
(a pele me levando, embora)

e eu vendo lá no fundo
ele
fazendo hora, ora,
dentro dela

*******************

SPECULUM

mesmo só no deserto
meu reflexo
se refrata no seu sexo
medonho
a chave do tamanho
eu sou assim
medonho
eterno
auto-retrato num espelho convexo

As primeiras linhas de um texto maior, talvez um romance. Já publiquei antes noutro blog. 

As lágrimas dela caíram no primeiro dia.

Deve ter sido por isso que o casamento, o da carne, não se consumou. Não eram apenas lágrimas. Darlete chorava sangue, conforme a família pôde escancarar num programa de TV. “São lágrimas de Cristo”, disse ela, um dia, enquanto tentava se desvencilhar de uma suas visões.

As visões de Cristo não eram propriamente dolorosas. Tampouco as de Nossa Senhora. As outras viriam depois. Darlete devia ter uns 20 anos quando o pesadelo começou. O colégio acabou uns dois anos antes. A vida do pai acabou pouco antes do casamento. A paciência do marido acabaria uns cinco anos depois.

Quando as lágrimas de sangue caíram no primeiro dia, alguma coisa já vacilou naquela casa. Mas uns 1.400 dias ainda se desenrolariam até a internação se consumar. Isso lá pelos idos dos anos 90. 

“Lágrimas de Cristo, droga!”, ela gritava, como uma herege e apóstata. Foi então que vieram as visões das cobras.

Com a mão no cabelo preto da cabeça de Darlete, na capela do hospital, o frade disse que o constrangimento é uma forma de pecado, porque, afinal, o constrangimento é uma extensão da vaidade (a nossa e a dos outros). “A urina, a frase dura, as fezes”, disse o frade, com ligeiro sotaque calvinista, “tudo isso é o humano; a verdadeira glória é do Senhor”.

Dali a pouco, a enfermeira trocaria as roupas molhadas de Darlete e, depois, a acompanharia no sono, para assegurar que as cobras, não, as cobras não viriam desta vez. Mas o sofrimento não se curva à promessa. “Ali”, gritaria Darlete às 2 da madrugada.

Foi então que vieram as visões de um homem qualquer.

Boa do Possenti. Clique aqui, ó.

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