You are currently browsing the monthly archive for dezembro 2008.

Pra começar o ano com inteligência.

(inspirado em Otavio Ramos, in memorian)

dama_silviadinatale
(foto: Silvia Dinatale)

a sabedoria e a fama
travam um drama
no coração da heroína

ela sabe que o poeta
é seu bem
mas o jeitinho proleta
que ele tem
inspira
o fescenino
desdém
no corpo da glamourosa

ela é famosa

um ímã
na heroína
chama o poeta: vem
trazer o perigo à meta

mas ela, gata,
disfarça:
pelota?
proleta?
quem?

***

Para Marcela, outras elas e eles também

A crise taí, o  bicho pegando, mas é claro que o mundo não vai se transformar numa massa única de acrobatas no semáforo. Afinal, quem ficaria dentro dos carros?  Apesar dos males, nada de malabares. Deixo aí embaixo uma mensagem que já postei antes, em dois outros blogs, porque é sempre oportuna na virada de ano.

O chinês Confúcio, que circulou por este mundo de Deus mais de 500 anos antes de Cristo, não era qualquer um. Tanto que trazia, inscrito no próprio nome, uma mensagem: fuce-o! O sábio queria que nós, pobres mortais de antes e depois de Cristo, captássemos logo esse recado indispensável. Fuce-o!

Embora já não tenhamos focinho, como talvez tenha tido algum antepassado nosso lá nos velhos tempos da Pangéia (quando os continentes estavam todos coladinhos um no outro, tal e qual um Miojo hipercozido), é preciso, antes de tudo, fuçar. Repito, meu nego: fuce-o!

Meu pai, já muito antes de chegar ao alto dos 90 e muitos anos que ele hoje ostenta, sempre me dizia: é muito bom ser curioso. Sim, meu nego, é a curiosidade que nos guia, até quando estamos distraídos. Foi a curiosidade que fez com que, mesmo quando menos esperavam, certos humanos se tornassem os descobridores ou construtores de supostos bagulhos que se tornaram fundamentais em nossa cultura. Leia “Os Sonâmbulos”, de Arthur Koestler, contando a história dos acasos que abrigam a evolução da ciência, e você entenderá o que digo. E o que disse o mestre chinês no próprio nome: fuce-o!

Revirando os colchões de nossa história e das histórias dos outros, certas respostas poderão estar lá, para decifrar o mistério ao qual estamos atados (para citar, aqui, aquele verso de Allan Poe: “the mistery that binds me still”, o mistério que me prende ainda). Atados aqui, em um estranho destino no Médio Piracicaba. Aí, então, talvez seja só seguir adiante, ainda que um tanto às cegas, depois de tanto tempo vivendo sem rumo.

Seguir adiante, com o jeitão que nos ensina outro sábio, o guru Devi, mestre do yoga: “take it easy, but no lazy” (vá devagar, mas sem preguiça). Como os passos do cágado, que, à maneira daqueles brasileiros de um comercial do governo, não desiste nunca. Ou desiste um pouco, aqui e agora, e retoma um pouco mais adiante o fio da meada, mesmo que já seja outro fio, para recomeçar. Sem a canseira sonolenta do bicho preguiça.

(Obs.: a brincadeira com o nome do Confúcio foi inspirada em um poema do paulista Glauco Mattoso, poeta porreta e meu bróder).

“O elemento distintivo mais evidente de minha música é a incapacidade. Eu trabalhei com a incapacidade e o importante, na verdade, é o que eu fiz com isso. Por causa dela, trabalhei no limite, na fronteira entre o que é som e o que é ruído. Eu tinha elementos rústicos que comecei a utilizar longe do refinamento da bossa, como se fosse a antítese dela. É bom dizer isso porque muitas pessoas se sentem sem habilidade de manejar certos códigos que estão na moda, mas que, sendo os patinhos feios, podem abrir novos horizontes. A incapacidade é uma grande arma”. (Tom Zé, em entrevista a Daniel Barbosa, do jornal “O Tempo”, em 12/12/2008).

eu curto o seu cabelo crespo
eu curto o seu cabelo preto
eu curto o seu cabelo duro
o preto tu
eu gosto desse preto tu
negro amor
meu amor
afro-americana minabaiana rainha do lundu
o funk  o soul o samba-rock
mpbop bebop
tanto faz
o seu balanço é mais
o preto tu
e eu sou mais
o preto tu
o corpo preto
a pele preta
brancura preta da mão
brancura preto do olho
o pé o olho preto o preto tu
a alma preta o assum preto o anu
da cor do peito preto, meu amor

sem tu
o mundo é menos
e mais
veneno

contra a pletora do menos
o mais de sua pretura

iaiá
me dá
o seu chamego preto, meu amor

que meu chamego preto esse ioiô te dá

O Lobrobrô SambaBom, 4ª edição do projeto Arte no Sítio, capitaneado por mim e Marcelo Melo, foi bom demais.
Dia 29, último sábado de novembro.

Veja aqui, ó.

Páginas

dezembro 2008
S T Q Q S S D
« nov   jan »
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031  

Acessos

  • 41,856 hits