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Veja aqui, ó.

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da Folha Online

O músico baiano Tom Zé rebateu com um xingamento um elogio ao CD “Estudando a Bossa – Nordeste Plaza” feito por Caetano Veloso. “Caetaaaanooo, vai tomar no…”, disse Tom Zé no domingo, 23, durante show no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, informa a coluna de Monica Bergamo, publicada pela Folha.

Segundo a coluna, o músico anda falando mal de Caetano Veloso até em seu blog depois que ele o elogiou. “Não, Caetano (…) eu não posso aceitar agora o seu colo e do grupo baiano, que durante todos esses anos me separaram até do que era meu, enquanto gozavam todo o prestígio e privilégios, talvez como ninguém mais neste país analfabeto.”

Em resposta, Caetano minimizou a crítica e falou em “ressentimento” de Tom Zé. “Eu não sou o grupo baiano. Eu sou eu. E você não precisa recusar um abraço meu para ser grato a quem o ajudou. Eu gosto de você. Não precisamos desses surtos de ressentimento”, disse.

Sebastião Nunes
Onde peguei a resenha: blog do Romério.

A poesia é a mais difícil das artes da palavra. Difícil de escrever, difícil de ler e difícil de apreender. Existem poetas tão complexos que só toleram ser compreendidos depois de longo aprendizado e várias leituras. Mas existem poetas tão simples que entregam o ouro logo de cara. No primeiro caso, temos Augusto de Campos, cuja poesia até hoje engasga boa parte dos leitores, cultos ou não. No segundo, temos Manuel Bandeira, dono de uma simplicidade maliciosa, que se deixa entender por qualquer leitor medianamente cultivado.

Essa gangorra vem balançando ao longo de toda a história da poesia, antiga ou moderna, como um pêndulo de movimentos aleatórios e oscilações imprevisíveis. Existem poetas ótimos, bons e ruins em ambas as tendências, sendo que a maioria dos ruins se perpetua atolada no meio do caminho, por falta de coragem, ousadia e – pior – de cultura.

Na segunda metade do século 20 tivemos, no Brasil, vários exemplos maiores dessas tendências, sem que um superasse o outro, já que o grande poeta é insuperável, incomparável e imensurável. Darei alguns exemplos brevíssimos.

Vejamos Adélia Prado, bizarra senhora que, de repente – não mais que de repente –, soltou os cachorros e botou na rua sua lírica confessional, que atoleimou os tolos e sublimou os degustadores da poesia rica, nova, original.

Quase simultaneamente surgiram Glauco Mattoso e Paulo Leminski. Frutos da generosa árvore concretista, não se tornaram epígonos. Excelentes poetas, foram capazes de aprender com os mestres e seguir em frente, abrindo suas próprias trilhas nos espinheiros da linguagem.

Antes deles, mas muito antes mesmo, o pantaneiro Manoel de Barros extraía proezas do lamaçal verbal, encantamentos das folhagens da língua, proezas e encantamentos que só foram percebidos muitos anos depois, com o poeta já velhusco.

Todos marcaram sua época, pois foram, e são, poetas referenciais. Pairam acima de correntes e tendências. Fundaram-se a si mesmos.

Pois bem. Eis que agora, depois de palmilhar longamente as estradas tortuosas da poesia, experimentando caminhos, atalhos, veredas e trilhas, em livros que indicavam o rumo mas não desvelavam segredos, Romério Rômulo desencanta de vez com Matéria Bruta, um livro que tem a grandeza e a maturidade dos poetas maiores.

Estamos diante de um poeta novo e original, autor de uma poesia radiosa como as primeiras manhãs do mundo, como toda poética fundadora. Mas gostaria de alertar: leiam devagar, lenta e pausadamente. Sintam os versos e os ritmos como eles se oferecerem. Porque estamos, perdoem se insisto, conhecendo a técnica sofisticada de um poeta inaugural e, por isso, na presença de um poeta que se tornou grande pela busca pessoal, individual, solitária. E que chegou lá, oscilando perigosamente no fio da navalha da linguagem, lá onde ela, a autêntica poesia, sopra quando quer, e só quando quer.

Como aperitivo seguem dois poemas escolhidos ao acaso, já que o nível nunca baixa e o tom é sempre alto.

a chuva que me habita não é chuva,
é um quadrado oblongo de facetas.
a quina do meu lábio, cada fresta
há de conter o rasgo destas almas.

as almas que te habitam são tão seres
que possam mergulhar na tua alma?
acaso, se carregas, tens um olho
que sabe a múltipla face do meu rosto?

tentar pode ser mais, e se me levas
te trago incorporada, último dia.
(adentro o verde cinza da manhã)

o tumulto do corpo pode ausências.
calar tem por demais, arrefecido
instante da manhã chamado vento.
uns mistérios, dizer o mais que sono
sem a palavra livre revelada.

quando uma carne concebe, intimamente,
uma outra carne rasura seu instante
mais breve de pedra. e saber
aquilatar é tudo, face o tempo.

que outros mais dizer irão, somente,
sabedorias se nem cabe a rouca
lamúria que no lábio sempre espera
pelo espaço de só ser lamúria.

(o corpo pode ausências)

Clique aqui e saiba…

Com o título “Além da Cor”, a jornalista Luciana Coelho, editora-adjunta do caderno “Mundo”, da Folha, postou um texto no blog sobre a sucessão de Bush, que o jornal criou, falando da discussão na Redação quanto a ressaltar ou não o fato de Obama ser negro.

A Luciana diz que ela e a Cláudia Antunes concluíram que resumir a eleição a isso (o fato de ele ser negro) é empobrecer a questão. Ela destaca que o historiador britânico Timothy Garton Ash escreveu um artigo apontando uma série de fatores muito mais importantes para o vitória de Obama.

Certo, certo. Luciana, depois de dizer para que “lembremos que a mãe do candidato é branca, que os avós que o criaram são brancos, e que o pai dele, negro, era queniano, sem o peso da escravatura em seu passado”, reproduz Ash:

“Obama é muito mais do que um americano negro. Como um número crescente de cidadãos em nosso mundo mestiço, ele é, como o colunista Michael Kinsley colocou, um caldeirão étnico em um homem só. Isso o qualifica para representar todos os americanos, de toda ascendência e tom de pele, que eu vi nas longas filas de gente esperando para votar em Washington.

Obama é o primeiro presidente pós-étnico. Reduzir essa história à dicotomia preto/branco é tão útil quanto tirar uma fotografia preta-e-branca de uma cena colorida. John McCain pode ter destacado Joe, o encanador para representar a já fora de moda ‘maioria silenciosa’ de americanos brancos de classe trabalhadora, mas agora esses já constituem uma minoria não tão silenciosa assim. E José o encanador votou para Obama (…)”

Certo, certo. Obama é “black and white” (como diz Michael Jackson naquela canção: “it doesn’t matter if you’re black or white”) e, sei lá, um “caldeirão” onde se reúne até islamismo e cristianismo – digamos assim -, mas o esquisito é que o fato de ter mãe branca e avós brancos nunca tirou de ninguém nos Estados Unidos a condição de negro. Acho legal ter esse cuidado para não escamotear a questão racial agora que um negro chegou lá, negro na Casa Branca. Mas é claro que isso não diz tudo, e talvez a sociedade norte-americana esteja até dando uma lição de maturidade ao ver algo muito além da cor .

Mas, mesmo “black and white”, é negro, pô.

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