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você não vem, não importa
suporto até a mãe morta
no inferno humano esta cena
é normal:
veneno cancro gangrena

Aqui, ó:

http://www.arthurnestrovski.com/

Walter Benjamin há tempos se transformou em uma espécie de arroz de festa – que todo mundo na academia cita -, mas isso não quer dizer que não valha a pena visitá-lo. Eu o visito e, pra mim, continua sendo um cara. Bacana. Mas aqui o que interessa é sua referência ao valor estratégico das histórias de detetive no século 19 e princípio do 20: a burguesia, vacilante, saía à caça de suas próprias pistas.

As histórias de detetive não morrem. Podem vacilar, mas sempre voltam à cena, tomadas de sedução. No Brasil, atualmente essas histórias são os causos da Polícia Federal.

A PF entrou na pauta da mídia no governo Lula. Não há como negar.

Até então, só estávamos acostumados ao PF, o prato (mal) feito das páginas policiais, do noticiário comum. Aí, pronto, A (olha o artigo feminino! – nova emergência do matriarcado?) PF entrou em cena.

E entraram em cenas os nomes. Nome próprio? Salles e Clara Averbuck? Presta atenção, cara: é de outra coisa que estou falando.

Os nomes. Os nomes das operações, esse jogo que seduz também as polícias militar e civil, menos charmosas.

Nos últimos tempos, parece que o nome mais glamouroso foi “Satiagraha”, que quer dizer “firmeza da verdade”, em sânscrito, e a PF foi buscar em Gandhi. O indiano usou esse termo em sua campanha pela independência da Índia.

Sem glamour o mundo não existe. Não é só a esquisitice – componente essencial, como eu já disse – que mantém de pé o mundo. O glamour também faz seu serviço, como as citações – essas pistas que evitam que nossa imagem se dilua no moedor de carne da história.

Em meus tempos de faculdade de jornalismo, escrevi um roteiro prum possível filme, onde o delegado fazia constantes referências a obras de literatura e ao cinema para tentar desvendar os crimes de um maníaco. A professora achou que não fazia sentido, porque no Brasil, segundo ela, não existe delegado assim. Bom, pode não existir, mas QUER existir.

Nada e ninguém resistem à sedução dos nomes. Ao modo como embrulhamos as coisas com palavras. Próprio ou impróprio, sem nome o mundo evapora.

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