You are currently browsing the monthly archive for julho 2008.

sou ligeiramente jovem, mas vivi tempos em que times de futebol ainda existiam. é verdade: existiam. me sinto como o barrabás vivido por anthony quinn: ele, o barrabás do filme, viveu nos tempos de cristo, mas ninguém acreditava. é verdade, é verdade, ele dizia.

os times existiam. pelé jogou décadas no santos. hoje, o cara fica no time durante um campeonato, qdo mto. aí é comprado. aí, os times vão mudando. no ano passado, a equipe era uma; esse ano, é outra. depois, será outra. o técnico é outro de cinco em cinco minutos. só a torcida é a mesma.

ninguém mais torce pra uma equipe. só prum nome, uma marca. é por isso que timões da primeira divisão caem pra segunda. pra terceira. pro quinto dos infernos. não são os timões. são os pós-timões.

eu sou santista. meio de longe. o torero também. meu filho é atleticano. o santos é o pós-santos. o atlético é o pós-atlético.

ligo muito pra futebol não. futebol, pra mim, tem um problema: parece precisar de bairrismo. se tu é mineiro, precisa torcer pra raposa ou pro galo. se é paulista… o mundo do futebol é quase o oposto do mundo da arte. bairrismo na arte é um pecado mortal. localismo, credo!

nunca marquei um gol. mas não é por isso que sou gauche no mundinho da bola. sei lá, cara. sou e pronto. explicação também parece ser daquele tempo. aquele. no pós-mundo da nova carne não faz sentido nenhum.

.

.

O Internet Explorer 7 – o 8 ainda não usei – está bloqueando o acesso a alguns sites, como o Gmail. Isso graças a um componente que é um espécie de “junkfilter”, para, supostamente, filtrar lixo. O Gmail é da Google, concorrente. Então, deve ser lixo. Eu curto o Gmail. E, aí, como ficamos? Bom lembrar o velho Heráclito, que disse que o mais belo mundo é um monte de lixo jogado ao acaso.

.

.

Foto: Juarez Gonçalves / Montagem: Wir Caetano

Foi nos anos 70. Durante um evento cultural, ficou combinado que alguns desenhos seriam afixados em paredes e vitrines de algumas lojas de Carneirinhos. Ok, ok, todo mundo concordou, inclusive os comerciantes contatados. Mas houve um ligeirinho probleminha: a gerência da loja onde seria afixado o cartum “A invasão dos homens de óculos”, do Geraldo Magela, disse “Não, não, não”.

Por quê? Era naqueles tempos de ditadura, censura e tal, mas o cartum não tinha nada de político. O que ele tinha mesmo era um monte de homens com óculos na cara, e aquele traço tosco à la “Sneika”, que os monlevadenses que lêem jornais locais já conhecem. Era esquisito.

O Magela usava óculos, eu também, um monte de outros caras e outras caras usavam óculos. Não queríamos invadir nada, a revolução camponesa não estava em cogitação, não éramos camponeses. Nem estudantes rebeldes, e eu só conheceria “A Chinesa”, de Godard, anos mais tarde. Éramos apenas homens de óculos. Inofensivos e até carentes, bem antes de “Os Paralamas do Sucesso” cantaram “eu uso óculos, eu nem vejo ninguém”. Miguilim, do Guimarães Rosa, já havia colocado na cara os seus óculos, mas disso ninguém sabia, talvez só nós, aquele grupinho da revista “Rebu”, os esquisitos, e mais uns gatos pingados.

Aquela geração: éramos magricelas, tínhamos cabelões, e nossos casamentos não dariam certo. Nossa, como a vida era boa!

Já escrevi que a esquisitice é a tradução do mundo. É verdade. Monlevade também é esquisita, uma cara torta no espelho, que não combina com aquela velha frase “I love you”. Mas parece que ninguém nota não.

Eu já não uso óculos, sobrevivente que sou de uma cirurgia contra a miopia. Mas continuo esquisito. Oba! Sem a esquisitice o mundo evapora. O mundo todo: aquela loja, a cidade, você e todos nós.

.

.

Eu era pouco mais que um adolescente quando fiz uma versão para “Stormy Weather”. A primeira estrofe era assim: “não, não há/ sol em mais nenhum lugar / stormy weather / sem meu bem, meu par, aqui perto / é triste, não há paz”.  Por aí.

 

Bom…

.

.

.

Neste 2008, faz 30 anos da publicação da 1a edição de  “Um Copo de Cólera”, de Raduan Nassar.

Nassar escreveu pouco. Bastou.

Morbeza romântica? Torpeza. Um Macalé/Wally cairia bem.

Data: 19 de julho, terceiro sábado do mês
Horário: a partir de 13 horas
Local: Sítio de Luiz Amaral e Lutécia Espechit, no bairro Laranjeiras (João Monlevade)
 
Data-limite para confirmação da participação:   14/07, segunda-feira
Data-limite para pagamento ou desistência: 17/07, quinta-feira
Valor individual da contribuiçãoR$ 30,00 (trinta reais) – este valor já inclui comida e bebida
(*) Foi definida uma data para desistência a fim de permitir controle mais seguro do número de participantes. Quem desistir até essa data e já tiver pago a contribuição, terá o valor devolvido.
É claro que não há muito rigor. Qualquer coisa, é só conversar com a gente.

 
Almoço:
Galo ao molho pardo.  Arroz, batata com temperos especiais e feijão no acompanhamento.
 
Detalhe: para agradar a paladares variados, o galo será preparado de dois modos distintos:
– com o molho à base de sangue da ave (forma tradicional); e
– com o molho à base do próprio caldo da ave
 
Obs.:
Como, desta vez, o evento se estenderá além do habitual nas edições anteriores, haverá, no comecinho da noite, caldo de abóbora.
  
 
Programação:
– Samba de raiz com Remascentes dos Afilhados do Sereno”
– Exposições de fotos: de Bruno Guimarães (fotógrafo e videomaker) e de Lutécia Espechit
– “Alfarrábio de Bamba”: sebo de livros de arte, literatura e outros, dos acervos de Rosália Oliveira e Janine Prandini

– Danceteria (à base de eletro-samba-groove) a partir das 18 horas.
 
OBSERVAÇÃO:
Cada pessoa pode convidar outras duas. Convidados também contribuem com o mesmo valor individual, para manter a filosofia de “rateio”.
 
CONTATOS:
Wir Caetano – 8891-7301
Marcelo Melo – 3851-6622 / 9943-0379
Rosália Oliveira – 8806-4283
**********************************************************************
 
Uma realização “Monlôver Comunicação e Arte”
Produção: Marcelo Melo / Wir Caetano / Rosália Oliveira
 
Apoio: Rádio Alternativa / Jornal Morro do Geo

Páginas

julho 2008
S T Q Q S S D
« jun   ago »
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

Acessos

  • 41,954 hits