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Depois do “Arroz com Livros”, estamos preparando esse aqui, dentro do projeto “Arte no Sítio”.

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Foto: Elaine Lopes

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Duke, com quem trabalhei no jornal “O Tempo”, faturou prêmio internacional com o cartum ecológico abaixo. A matéria completa está aqui, ó.

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Duke

Queria uma cara simpática pra postar aqui neste domingo. Então, achei esta da roteirista Mariana Verissimo, filha do Luis Fernando, em foto de Nana Vieira:

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Nos anos anos, dois monlevadenses – Geraldo Magela e eu – criamos a personagem “Sneika”, cobrinha que se tornou estrela de tirinha para o jornal “O Cometa Itabirano”, da terra de Drummond. Foi um sucesso.

Saí de Monlevade, abandonei a Sneika e Magela continuou a produzi-la sozinho. Algum tempo depois de voltar a viver na cidade, há cerca de três anos, voltei colaborar com o velho parceiro, a convite do jornal onde Magela publica a tirinha. Depois, abandonei de novo. Esses dias, retornei a parceria.

O cartum que fizemos juntos esses dias é este aqui, ó:

“Uma das cenas mais famosas da história da filosofia é um efeito do poder da literatura. Nietzsche, ao ver como um cocheiro castigava brutalmente  um cavalo caído, abraça-se chorando ao pescoço do animal e o beija. Foi em Turim, em 3 de janeiro de 1888, e essa data marca, em certo sentido, o fim da filosofia: com esse fato começa a chamada loucura de Nietzsche, que, tal como o suicídio de Sócrates, é um acontecimento inesquecível na história da razão ocidental. O incrível é que a cena é uma repetição literal de uma situação de Crime e Castigo de Dostoiévski (parte I, capítulo 5), na qual Raskólnikov sonha com uns camponeses bêbados que batem num cavalo até matá-lo. Dominado pela compaixão, Raskólnikov se abraça ao pescoço do animal caído e o beija. Ninguém parece ter reparado no bovarismo de Nietzsche, que repete uma cena lida. (A teoria do Eterno Retorno pode ser vista como um descrição do efeito de falsa memória que a leitura produz).” De Ricardo Piglia, em “Formas Breves”.

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Aguarde o texto.

(Elegia rupestre para Levi Araújo,

o menor dos Nunes) 

Duas e meia da tarde. 10 de junho de 1984.
Mãos secas. Pés juntos. Algodoais no nariz.
Véu negro sobre o rosto: tímido noivo de vermes.
Rotineira terra roxa sobre o cadáver de cera.

Vai embora Levi e seus 40 quilos de osso.
Vai embora o enfisema: missão cumprida.
Vão embora pescarias. Cigarros de palha. Tosses.
Revólver na cintura. Carteados. O olho de cobra.

O coveiro sua e pragueja: antes ele do que eu.
Foi tudo muito rápido. Silencioso. Sem queixas.
1 metro e 58 e nunca confessou nada. Nem a padre.
Nunca pediu nada. Nunca aceitou nada. Nem de Deus.

Tão pequeno para um orgulho tão grande.
Feroz como todos os pequenos. Duro como diamante.
Até que finalmente tudo passou – e nada.
Que diferenças faz? Séculos ou mitos ou segundos.
Grandes ilusões rastejam entre lagartixas.
 

então é verdade: então a vida não passa disto:
um sopro: um cisco no olho: um sopro: e nada.

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