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Foto: Scott Beale

“Fazer da perda o princípio de reestruturação de todo o sistema é (segundo Brecht) uma lição que só se pode aprender no mundo dos negócios.” (Ricardo Piglia).

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Foto: Valentina Cinelli

Há tempos, escrevi, numa resenha sobre o Glauco Mattoso, que ele punha o corpo numa arte cansada e, assim, a revitalizava. Eu me referia ao cenário da poesia, que me parecia, então, um mar morto, tomado pelo ensimesmamento formal, uma chatice do cão. Alguém não gostou, escreveu um artigo respondendo, sem citar meu nome. Mas isso não interessa.

O que interessa é que essa coisa do corpo me bateu de novo no tutano, ao me referir, ontem, a Marcelino Freire. Que também põe o corpo no texto, só que, no caso, é o dos outros. Dos fodidos, dos “mulambos”. Mas é o corpo e a ginga que o corpo tem, mesmo quando é um… mulambo.

De certa forma, também já pus muito o corpo dos outros no texto, daquelas mulheres de lá, Belo Horizonte, daqueles caras esquisitos daqueles lugares esquisitos. Já com meu próprio corpo, sempre tive algum grilo (como se dizia nos anos 70, por aí), tanto que tenho molejo, balanço legal, mas me atrapalho na frente dos outros. Do corpo dos outros.

O bloguismo, acho, me permitiu pôr meu corpo no texto, sem muito “grilo”. Porque esses fragmentos, esses riscados da prosa do mundo, esses trapos do mundinho diário, isso é meu corpo. Pros outros.

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Foto: Sheila Tostes 

Rasif, título do mais recente livro de Marcelino Freire, é palavra de origem árabe. No nordeste brasileiro, “racif” virou Recife, capital de Pernambuco.  

Eu não conheço Recife, mas conheci Pernambuco. Foi nos anos 80, e Pernambuco era uma mulher.

 Apelido, claro. O nome eu não me lembro mais.

Pernambuco foi a segunda mulher com quem cheguei ao orgasmo, coisa que, naquela época, era um desafio para mim. Eu tinha 25 anos. É verdade. Tudo em minha vida foi – e é – tardio.

Embora meu livro “Morte Porca” não seja autobiográfico, tem alguns detalhes autobiográficos, sim, e foi da experiência do primeiro orgasmo que tirei a frase: “aprendi a gozar com outra mulher. eu deitado de costas e ela se mexendo por cima. gozar de costas parece um elogio à preguiça. toda mulher é uma citação, todo cardíaco?”

Mais tarde, eu soube que Pernambuco era lésbica. Nessa época, ela já vivia na Espanha, para onde muitas brasileiras haviam ido ganhar grana como garota de programa. A inflação era alta no Brasil, a moeda super desvalorizada em relação ao dólar. Dizem que Pernambuco enriqueceu.

Hoje, essas lembranças vieram à minha cabeça por causa da palavra “Rasif”, que se manifestou assim, como uma entidade saída do nada. Gosto do tom rascante da palavra. Parece sugerir uma dureza, talvez. Um certo jeito que Pernambuco, a mulher, tinha. E combinava com sua beleza e simpatia. E a persistência pra suportar minha neurose. Lá atrás, naquelas noites esquisitas.

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Foto: Cristiane Souza

Enquanto não ponho aqui um fragmentozinho de “Lúmpen”, velho livro do Otavio Ramos (recentemente homenageado pelo Regis Gonçalves no “Terças Poéticas”, em  Belo Horizonte), deixo uns versos de Yeats, que figuram como epígrafe de outro livro de Otavio, “Pise Devagar, Você está pisando nos meus Sonhos”. Claro que o título foi tirado dos versos de Yeats.

Ei-los:

 Had I the heavens’ embroidered cloths,
Enwrought with the golden and silver light,
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and the half-light,
I would spread the cloths under your feet:
But I, being poor, have only my dreams:
I have spread my dreams under your feet;
Tread softly because you tread on my dreams

Abaixo, texto de apresentação que escrevi para a exposição “Charges Sindicais – Traços da Memória – Anos 80”, montada como “evento-surpresa” na entrada no refeitório (o popular “Zebrão”), da usina Arcelor Mittal Monlevade.

Esta exposição reúne charges que ilustraram boletins, adesivos e outros documentos produzidos ou utilizados pelo Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos deJoão Monlevade, na década de 80.

Não há aqui, aqui, o objetivo de relatar fatos, como um compêndio da história. Mas os desenhos registram momentos de uma trajetória marcada pela mobilização
da base sindical e participação nas lutas de outros movimentos populares.

Entre esses registros, está o apoio à Associação
Sindical dos Servidores Públicos Municipais
de João Monlevade, à Associação das Empregadas Domésticas – entidades que o Sindicato dos Metalúrgicos ajudou a fundar – e ao movimento estudantil, além das lutas por outras demandas sociais, como, por exemplo, o enfrentamento de problemas do transporte coletivo urbano.

Outra ação documentada por alguns dos desenhos é  o trabalho didático realizado pela Fundação Casa do Trabalhador, que, enquanto durou, buscou “promover o aprimoramento cultural do trabalhador, em termos de sua conscientização e do conhecimento do processo
histórico em que se acha inserido” e “valorizar a
dignidade humana em toda a sua dimensão”, conforme seu estatuto.

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