You are currently browsing the monthly archive for setembro 2007.

Vivemos um momento pós-gênero que me dá outro gás pra escrever. Eu me refiro a gênero literário. Esse tal momento tem a ver o big-bang da blogosfera.

Sobre a morte do gênero:
Minha ex-professora Márcia – que me amava e já não sei se ama – disse que não foi à toa que Milton Hatoum chamou aquele livro dele de “Relato de um Certo Oriente” e não “Romance de um Certo Oriente”. Seria porque, para ele – acha a moça – o romance acabou.

O que ficou depois da morte do romance? E da poesia etc? Em outro texto, eu já disse, retomando Leminki, que hoje nada morre, apena agoniza. Mas o que fica, então, nesse cenário de agonia dos gêneros? o que a blogosfera tem a ver com isso?

 Leia no próximo capítulo e entenda o que quero dizer com “palavrio-ciborgue”.

Anúncios

As pipoquinhas da alegria pulularam em minha saleta quando recebi esse email de Butterfly, aquela cabeça da Europa:

“Meu caro Wir,
>
> Acabei de criar um pequeno banner para o seu blog, desculpe-me o abuso, mas
> dado que praticamente não intervi, tendo em consideraçãp que me limitei a
> fazer a redução do seu header, achei que me perdoaria e avancei.
>
> Encontra-se assim no meu novo blog, o Pepperland, o banner do Wir. Espero
> que goste, se não julgar dessa forma, basta um allô por mail, e irei a
> correr retirá-lo.
>
> Quanto ao demais, aqui por terras portucalenses estamos a precisar de novas
> ideias para o país, mas como não se encontra nada de novo na europa, e
> virados para o atlântico acabamos ainda mais isolados, acho que noutro dia
> qualquer ainda chegamos a algum lado, mas esse dia não será hoje, nunca é.
>
> Eu estou bem, ia-me espatifando da santa grúa onde fui fazer um par de
> fotos. Valeu-me o chão ou a queda teria ido mais fundo…
>
> Bom, é tudo!
>
> Um beijo madrugador,
>
> B.

P.S. – http://mysweetpepperland.wordpress.com (veja
> starlinks)”

Enquanto não arrumo tempo pra escrever – tem tópicos com título e vazios -, deixo vocês com esse link aqui, ó:

http://www.palaciodasartes.com.br/noticias_terca_poetica_25_09_07.asp

Pilar Fazito garantiu que vai. Eu não vou poder ir, mas, mesmo assim, será bom.

Prezado, ando sem tempo, mas estarei aqui, efetivamente presente, logo logo. Aí, tu vai entender o título.

babila.jpg
Divulgação.

Segue aí embaixo release do bróder George Cardoso sobre a seleção de Babilak Bah pro Projeto Pixinguinha.Antes de colocar vocês cara a cara com o texto do George, bom contar que cheguei a fazer uma letra pro Babilak, anos atrás. Parti de um minipoema dele, de dois versos, e desenvolvi a coisa. Ele amou e, em uma das últimas vezes em que estivemos juntos, mostrou pra mim a melodia que tinha feito então. Parecia um mantra. Mostrou assim, só voz e violão, sem harmonia ainda. Depois, eu não soube mais, nem sei se ele finalizou. De qualquer forma, a letra que fiz tem um trecho que curto bastante e diz assim: “o mundo é pátria do sol/ e o sol é tudo e nenhum/ Jesus é bróder de Ogum/ chinês, inglês, iorubá/ é par o Deus que é um”.Bah nunca mais me chamou pra comer um frango na casa dele lá na região da Pampulha e, ademais, estou morando fora de Belo Horizont (MG), onde ele vive.Bom, eis o release:O Som Metálico das Enxadas pro Pixinguinha Ver 
Músico Babilak Bah é o único selecionado em Minas para o Projeto Pixinguinha e fará shows em sete capitais brasileiras para apresentar seu Enxadário 

“Depois dos pratos & facas e caixas de fósforos dos sambistas, das queixadas de burro incorporadas à percussão por Airto Moreira, das panelas cheias de pedras e naipe de garrafas de Hermeto Pascoal (que também usou porcos e galinhas), dos tubos de PVC do Uakti (discípulo do inventor Walter Smetak), das descargas de automóvel de Rogério Duprat, das enceradeiras de Tom Zé, do chaveiro de Orlan Divo, mais um instrumento cotidiano incorpora-se à música deste país polifônico: as enxadas de Babilak Bah”. (Tárik de Souza )

A cerca de dez anos, um músico de origem nordestina, paraibano de nascimento e conhecedor das mazelas sociais que acometem essa região do país, iniciou em Belo Horizonte uma pesquisa para construir um trabalho que hoje figura como um dos mais singulares da música brasileira.

Artista autodidata, percussionista, compositor e poeta, Babilak Bah concebeu e criou o projeto “Enxadário: orquestra de enxadas”, através de experimentações sonoras para explorar os timbres desse instrumento até então utilizado apenas para o trabalho nos latifúndios.  Após anos de persistência, um fato surge como importante na consagração do trabalho do artista. Divulgado recentemente, Babilak Bah foi o único de Minas Gerais dos 16 artistas selecionados – entre mais de 500 inscritos – para a edição de 2007 do Projeto Pixinguinha, do Ministério da Cultura. Ainda sem data e local definidos, Bah apresentará, a partir de outubro, o “Enxadário” em sete capitais brasileiras. 

O que o público assistirá será uma textura sonora complexa, com vários instrumentos musicais inusitados criados pelo artista – como o “berimbacia”, em que utiliza uma bacia como caixa de ressonância de um berimbau, e outros criados a partir da enxada -, associados a cordas, sopros e vozes (canto falado), marcada pelos discursos poético e político. Esse espetáculo resultou no cd homônio, gravado em 2006. “O Enxadário se abre à diversificação de linguagens, transforma símbolos em música, amplia os horizontes e revitaliza antigos paradigmas musicais, nos remete à tradição da cultura brasileira com o olhar para a universalidade”, define Babilak Bah.

Essa “plástica sonora” de Bah foi também reconhecida por nomes importantes da música brasileira, a exemplo do crítico Tárik de Souza, e assimilada pelo público nos palcos, através de projetos como o Conexão Telemig Celular (2003), Rumos Itaú Cultural de Música (2004, São Paulo), entre diversas outras apresentações em festivais e grandes cidades. A banda que acompanha Babilak Bah é formada por Johnny Herno (percussão e enxadas), Zeca Magrão (percussão e enxadas), Leonardo Brasilino (trombone, percussão e enxadas), Saulo Fergo (guitarra) e José Dias (baixo). Além do Projeto Pixinguinha, Babilak Bah e Enxadário se apresentarão nos próximos meses no festival Conexão Telemig Celular, em setembro, nas cidades de São João Del-Rei, Montes Claros e Uberlândia; dia 17 de novembro no projeto Cara e Cultura Negra, em Brasília; no dia 20 de novembro (Dia Nacional da Consciência Negra) com performance musical no Festival de Arte Negra (FAN) de BH; e no Festival de Verão de João Pessoa, em janeiro de 2008.

Criador compulsivo e dono do que pode-se chamar de “teimosia artística”, Babilak Bah figura entre os grandes percussionistas de Minas Gerais, o que permitiria ele acompanhar com músico o trabalho de grandes artistas da música brasileira. Mas o que norteia o fazer artístico de Babilak em mais de 20 anos de carreira é a persistência de construir um trabalho exclusivamente autoral, singular, com identidade própria. Assim, no primeiro disco, Babilak assina dez das 11 faixas, sendo a única releitura “Xote dos Poetas”, de Capinam e Zé Ramalho. E é com muita personalidade, dedicação e pesquisa que o artista passeia por outras experimentações que resultaram em outros também de grande importância: o “Trem Tan Tan” e o “Enxadgma”. Trem Tan Tan

Em meados de 2000, como oficineiro de música para portadores de sofrimento mental nos Centros de Convivência Venda Nova e Providência, da rede pública de saúde de Belo Horizonte, Babilak Bah teve a iniciativa de gravar em estúdio diversas faixas musicais tocadas pelos usuários, que executando diversos ritmos sob a direção de Bah. O resultado dessa investida foi o projeto “Trem Tan Tan”, que resultou em espetáculo e no cd de mesmo nome, que tem participação especial de diversos músicos mineiros, como Kristoff Silva, Carlos Ed, Saulo Fergo, o DJ Roger Moore, entre outros.

O nome Trem Tan Tan – também título de uma das músicas criadas pelo grupo – faz referência aos trens que transportavam os “loucos” de hospícios públicos de Minas Gerais para o grande manicômio da cidade de Barbacena. Hoje, a banda Trem Tan Tan se apresenta com uma diversidade sonora, rítmica e criativa que contribui para a desmistificação dos mitos associados à loucura, reinserido seus integrantes na sociedade como cidadãos, passageiros em busca de sonhos.

 

Após uma trajetória de shows em Belo Horizonte, entre eles no projeto “Samba, Loucura e Feijoada”, o Trem Tan Tan se apresentou no mês de agosto no projeto “Loucos por Música”, nas cidades de Salvador (BA),  junto com Margareth Menezes, Toni Garrido e grupo Chicas, e no Rio de Janeiro, ao lado de João Bosco, Beth Carvalho e Chico César. 

Enxadgma

Com a proposta de aprofundar ainda mais a pesquisa da “timbralidade” das enxadas, Babilak Bah desenvolveu o projeto “Enxadgma”, aprovado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura. O projeto consiste na criação e confecção de sete instrumentos inusitados, todos feitos a partir da afinação tonal das enxadas, associadas a outros materiais como ferro, bronze, alumínio, couro, material sintético e vidro. São eles o “berimbacia/marimbal” – já utilizado pelo artista no seu trabalho -,  “radiofônico-congo”, “enxada triângulo”, “enxada-bongô”, “couro-enxada”, marimba-enxada” e “enxada com efeitos”. Todos os instrumentos serão criados a partir de desenho técnico, tendo como base chapas de aço de 3 mm, com uso de laser para corte, têmpera, tratamento químico, além de testagem dos instrumentos.

O projeto ainda prevê a realização de oficinas com os novos intrumentos e show de apresentação dos mesmos no teatro Dom Silvério, que atualmente é um dos apoiadores do artista, que cede espaço para os ensaios de Babilak Bah com o Enxadário.

cabelo_alexandre_aberb.jpg
Foto: Alexandre

Aguarde o texto.

Páginas

setembro 2007
S T Q Q S S D
« ago   out »
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930

Acessos

  • 42,103 hits