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Foto: Marcos André

As zonas sombrias do organismo. É de lá que vem a voz, disse Chacal aquele dia.

Deve ser mesmo. Eu moro só e, com freqüência, uma frase incômoda vem à minha boca. Falando só, a fala que vem lá de dentro, das zonas sombrias do organismo.

Acho que a frase é de um monstrengo, um transformer que precisa ser desmontado. E persiste. Vem persistindo, o monstro.  Nas zonas sombrias do organismo.

Talvez um dia eu fale dele pra vocês, o transformer. Um parasita extraterrestre?

É pela fala dele que preciso deslizar. Para desmontá-lo. Um dia.

Ps.: o título do tópico eu peguei da Luciana Tonelli.

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Melhor Longa Metragem – Júri Popular

CINEESQUEMANOVO 2007 – Festival de Cinema de Porto Alegre

 

“Conceição: onde passar não perca!” 

Marcelo Miranda

 

 NOS CINEMAS

27 de julho

Circuito Arteplex (Rio e São Paulo)

 

Em breve: Belo Horizonte, Brasília e Porto Alegre

 

Assista o avant trailler no youtube:

  http://www.youtube.com/watch?v=ettjrWQ4zSs

Participe da Comunidade do Orkut

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=34520184

Sinopse

Conceição – Autor Bom É Autor Morto é um filme sobre o que as pessoas querem ver no cinema. A trama central envolve o encontro de autores e suas idéias. Liderados pelo eterno Fugitivo (Augusto Madeira), perseguido por um implacável Caçador (Jards Macalé), as personagens revoltam-se contra seus irresponsáveis criadores.

 

O amor pelo cinema e pela pesquisa de linguagem faz do filme uma emocionada homenagem aos realizadores independentes, cujas trajetórias se confundem em obra e vida real.

Direção

André Sampaio, Cynthia Sims, Daniel Caetano, Guilherme Sarmiento e Samantha Ribeiro  

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Foto: Suzana C. Andrade
Texto: Regis Gonçalves

Foi uma viagem e tanto essa curta estada em Cordisburgo, no último fim de semana, para ver o que estava acontecendo na Semana Roseana. O evento se firmou e está em sua 19ª edição, tendo como eixo a obra literária do filho mais ilustre do lugar. De mesas-redondas com acadêmicos a narração de estórias, representações teatrais e roda de violeiros, vale tudo. Vem gente de toda parte. 

O melhor mesmo foi a caminhada eco-literária acontecida no sábado. Por 30 pratas o participante tem direito a café da manhã, oferecido no ponto de concentração, transporte de ônibus até o marco inicial da caminhada e almoço no restaurante da gruta de Maquiné, destino final. No meio do trajeto, paradas para ouvir os Miguilins narrarem textos de GR. Desta vez foram selecionados de “Tutameia”, livro que está comemorando 40 anos de publicação. 

Surpresa foi encontrar, no restaurante, um grupo de meninos que traziam inscrita na camiseta a frase “Amigos do jagunço Rosa”. Eram de Vespasiano e formavam um grupo de contadores de estórias que há dez anos freqüenta a Semana Roseana. Gente humilde, negros e pardos, alunos de escola pública. 

Tristeza foi saber que o grupo está se extinguindo. Carla, 22 anos, uma moreninha esperta com cara de 17 (está cursando faculdade), me contou que os Amigos do jagunço Rosa devem sua existência a uma ex-professora, agora lecionando em escola particular, que paga melhor. 

Dos meninos, nenhum havia lido qualquer livro de Guimarães Rosa. “A escola não tem biblioteca”, explicou Carla. A professora, Patrícia, levava para a classe, xerocados, os textos que eles iam decorar. Ela também se empenhava em arranjar patrocínio para os meninos viajarem a Cordisburgo. Este ano, apesar das dificuldades, um grupo de dez desses estudantes pobres reuniu suas economias e viajou por conta própria.

Depois venham me dizer que o povo “deste país” (como diz o Lula) não gosta de ler. Dêm-lhe bibliotecas e verão que ele fará dos livros uma verruma para abrir o ferrolho da desigualdade social e da discriminação. Ou que se arrombem as portas.

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Foto: Pulpolux

O título deste tópico saiu da boca de Pilar Fazito, no Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana, depois que terminou o sarau recheado por papos e textos de Sônia Queiroz, Ana Elisa Ribeiro, Jeter Neves, Sérgio Fantini e eu, no último domingo, 15 de julho. Isso porque, logo no comecinho de minha fala, avisei que sou gago e fiz referência ao poeta  Armando Freitas Filho. Contei que Armando, em uma entrevista, disse que a gagueira dele, de certa forma, se traduz também em seus poemas, que tem, acha o cara, um ritmo difícil, a exigir esforço do leitor. A gagueira é assim: exige esforço do falante e esforço do ouvinte, ambos condenados à paciência.

O comentário da Pilar foi porque – isso eu não disse – minha gagueira é eventual. Manifesta-se ao acaso, sem eu saber quando, nada tendo a ver com nervosismo, insegurança ou qualquer desses motivos que os não-gagos costumam imaginar e sacar logo do bolso para tentar dar conta de meu atrapalho. Ou do atrapalho de outros gagos. Naquele dia, não se manifestou.

Sartre, em uma reflexão sobre a viscosidade, disse que as coisas viscosas – gosmentas, pode-se dizer – causam incômodo (ou nojo) nos humanos porque  não são sólidas, nem líquidas, nem gasosas.  E nem são plasma, o quarto estado da matéria, que a ciência pôs em cena há alguns anos. A viscosidade é uma espécie de “marginália” da natureza.

O gago também é uma espécie de marginal da natureza. Não é um “portador de necessidades especiais” e, por isso, não tem acesso gratuito a ônibus, nem tampouco alguém se levanta para que ele se sente, nem mesmo como um exercício de compensação de alguma “dívida moral” da sociedade, tão farta em piadinhas sobre gagos.

A gagueira é a gosma da linguagem.

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Nossos tíquetes-alimentação caíram como pó nos restaurantes ouro-pretanos.

Tudo a 200 réis a dúzia!

Pobres, peregrinamos pelas ladeiras, como persistentes vítimas da derrama, sob os olhos de Nossa Senhora do Pilar, padroeira da cidade.

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Foto: Dusk Rude boy

Não me lembro o nome do restaurante. Era perto do “Acaso 85”. Jeter Neves, Pilar e eu esperávamos o frango com quiabo. Fui ao banheiro, me sentei. Quando olhei para dentro do vaso, só vi sangue vivo. É a segunda vez que acontece. Da primeira, pensei que era câncer. A médica disse que não. Hemorróidas de segundo grau, só isso, ela disse. Sangue vivo é normal. Da primeira vez, virou um conto. Ali, em Ouro Preto, virou uma leve apreensão. Mas o espírito hilário de Jeter sempre salva.

Bom demais o sarau ontem, em Ouro Preto, junto a Sônia Queiroz, Ana Elisa Ribeiro, Sérgio Fantini e Jeter Neves.

Aconteceu no horário do segundo tempo do jogo “Brasil e Argentina” e – putz! – teve público!

Depois, senti vontade de beijar a boca da Pilar, que conheci no sábado, mas me contive. Ando me sentindo o “Homem-Elefante”. Mas essa contenção também deve ter algo a ver com a dificuldade de que falei no domingo, ao tecer comentários sobre minha gagueira e a relação com a linguagem.

Depois volto ao assunto “Ouro Preto”.

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Foto: Nany Mata

Saí de Monlô pra Belô às 7h45. Às 13h15, pego o ônibus pra Ouro Preto. Amanhã, às 19, leio textos no Centro de Artes e Convenções da Ufop. Antes ou depois do amigo Sérgio Fantini e do Jeter Neves. 

Ori, ori.

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