sou ligeiramente jovem, mas vivi tempos em que times de futebol ainda existiam. é verdade: existiam. me sinto como o barrabás vivido por anthony quinn: ele, o barrabás do filme, viveu nos tempos de cristo, mas ninguém acreditava. é verdade, é verdade, ele dizia.
os times existiam. pelé jogou décadas no santos. hoje, o cara fica no time durante um campeonato, qdo mto. aí é comprado. aí, os times vão mudando. no ano passado, a equipe era uma; esse ano, é outra. depois, será outra. o técnico é outro de cinco em cinco minutos. só a torcida é a mesma.
ninguém mais torce pra uma equipe. só prum nome, uma marca. é por isso que timões da primeira divisão caem pra segunda. pra terceira. pro quinto dos infernos. não são os timões. são os pós-timões.
eu sou santista. meio de longe. o torero também. meu filho é atleticano. o santos é o pós-santos. o atlético é o pós-atlético.
ligo muito pra futebol não. futebol, pra mim, tem um problema: parece precisar de bairrismo. se tu é mineiro, precisa torcer pra raposa ou pro galo. se é paulista… o mundo do futebol é quase o oposto do mundo da arte. bairrismo na arte é um pecado mortal. localismo, credo!
nunca marquei um gol. mas não é por isso que sou gauche no mundinho da bola. sei lá, cara. sou e pronto. explicação também parece ser daquele tempo. aquele. no pós-mundo da nova carne não faz sentido nenhum.
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2 comments
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Julho 25, 2008 às 2:29 am
Marcelo Melo
Cara, o texto ficou sensacional e é a pura verdade, ou a vaidade de nossos atletas, dirigentes, empresários e o escambal. Hoje um “jogador” de 15 anos já é exportado. E ficam ainda uns bossais beijando a camisa do clube onde fica, no máximo, meia temporada. Você falou em Pelé, mas ainda devemos falar de Tostão no Cruzeiro, Reinaldo no Atlético, Zico no Flamengo, Sócrates no Corínthians, Rivelino no Corínthians; Roberto Dinamite no Vasco, Ademir da Guia no Palmeiras, Gerson no Botafogo, Falcão no Internacional.
Chega de torcer pra um time, que é uma merda. E nós, torcedores, que pagamos o pato.
Julho 25, 2008 às 5:47 pm
Geraldo Magela
Melo tem razão absoluta, quanto ao texto que ficou fantástico e ao futebol de hoje. Odeio bairrismo futebolesco. Torço para o Cruzeiro, mas também para o Manchester United, na Inglaterra, porra!